Acho que deve ter para quase um ano que escrevi o texto que segue aí embaixo. Hoje buscando um outro texto nessa bagunça de pensamentos e sentimentos soltos que é o meu computador achei essa pérola. Lindo, lindo demais. Reproduzo por aqui para deleite de mim mesma e de quem mais passar....
E posso dizer que tempo, que um ano, sem dúvida, muda muita coisa... e que hoje, só hoje, eu sei que felicidade é um espaçinho de tempo no meio da correria que a gente dá prá gente mesmo. E nesse espaçinho tudo é permitido!

"Tem lugares entre o presente e o passado que às vezes podem ser lembrados pela boniteza que foram. Sei que o que se diz se faz difícil de entender. Sei que o que poderia ser ficou entre o que foi e o que jamais poderia ter sido. Sei que o “nunca mais” jamais existiu de verdade, mas sei também que um dia foi real. Sei que por aqui eu sei que faz um ano. Ano, metragem de tempo estranho esse que acalma a alma e faz a gente crer que já passou o que é só memória.
Um dia quem sabe se faz entender. Um dia quem sabe alguém vai entender. Um dia de um ano qualquer, quem sabe.
Vida estranha essa que certos sentimentos passam, mas ficam. Sei que pensas. Sei que penso. Mas não é nada. Sei que hoje é rendição, abolição, fogos de confete e serpentina no céu do nosso carnaval que acabou de acabar. Hoje eu posso dizer que tem um ano. Que já tem um ano. Que já passou, e que agora resta pouco tempo para passar de vez.
Hoje tem um ano dos últimos tudo de nós dois. Esses últimos que ainda pipocam na memória e fazem a gente ter certeza de que valeu a pena. Esses últimos que passam feito filme e me questionam, me jogam na cara perguntas que não tenho respostas. Perguntas que passeiam por dentro de ti, na ânsia de um dia você poder me berrar o que normalmente se sussurraria. Últimos que constroem sonhos de inícios, de começos. Apesar de todos os pesares que posso, mas não quero, enumerar por aqui. Pois, depois de um ano, posso me dar ao direito de recordar apenas o que o coração desejar manter para a minha sanidade emocional, para a minha memória melancólica e romântica. Para alimentar minha alma.
Quem sabe? Quem dirá? Que futuro?
Hoje não sei. Não tenho bola de cristal, nem baralho, nem planetinhas para me dizer. Só percebo que se entre cem mil você me encontra e me vê, posso pensar que o futuro será sempre bastante caprichoso no quesito nos colocar por perto um do outro.
Nem que seja, meu querido, para relembrar uma cidade, uma saudade, um sonho.
Um ano que peguei uma estrada, que me colocava numa bifurcação, onde eu escolhi o meu caminho. Não me arrependo. Sei que hoje eu sou o mais feliz que poderia ser. E sei que esse mais não é pouco. É muito. É como eu sempre sonhei para mim.
É que você foi mais do que eu poderia um dia sonhar para mim..."
Escrito por Ka às 20h22
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